O inverno esteve nas passarelas da Paris Fashion Week 26 com uma proposta clara: menos sobre temperatura, mais sobre intensidade. Enquanto Paris dita um inverno denso e expressivo, o olhar capixaba da ClosetMy traduz essa estética com leveza e personalidade, criando uma equação rara: um inverno que, mesmo nascido no frio europeu, chega aqui para aquecer o estilo dos capixabas.
A Yves Saint Laurent foi a marca que abriu essa conversa com um minimalismo estratégico: alfaiataria impecável, ombros marcados e uma paleta silenciosa, porém poderosa.
Na sequência, a Dior trouxe um romantismo intencional. A feminilidade deixou de ser delicada para se tornar estratégica, uma leitura que conversa diretamente com o lifestyle social brasileiro.
A Chanel de Mathieu Blazy reafirmou o valor do clássico com atitude: tweed atualizado, pérolas em destaque, cintura deslocada, conjuntos coordenados. Uma estética que performa especialmente bem para mulheres que entendem a imagem como ativo, ou seja, forte no público brasileiro 40+.
Já a Lacoste, jovial, utilitária e moderna conduziu o sportwear ao status de luxo. A quadra virou passarela e o look esportivo ganhou sofisticação, refletindo perfeitamente o lifestyle brasileiro, especialmente no Espírito Santo, onde moda e movimento estão cada vez mais ganhando espaço e caminhando juntos.
Na contramão, a Balenciaga que levou a influenciadora Virginia Fonseca para o desfile da marca reforçou o poder do “estranho desejável”, com volumes exagerados, excesso de transparência e estética provocativa. No Brasil, essa tendência chega adaptada: menos literal, mais estratégica.
Nesse cenário, a Louis Vuitton apresentou talvez uma das leituras mais conceituais da temporada. Sob direção de Nicolas Ghesquière, o desfile transitou entre passado e futuro, misturando referências históricas, elementos artesanais e uma estética quase cinematográfica.
Mas foi na cor que a temporada se consolidou. A Paris Fashion Week trouxe uma paleta intensa: vermelho, azul cobalto, marrom café, ameixa e amarelo açafrão. Tons frios, como o azul e a ameixa, comunicam sofisticação e força, enquanto os quentes — como o café e o açafrão — trazem profundidade e elegância terrosa.
O mais interessante não está na classificação, mas na mistura. Combinar quente e frio no mesmo look cria contraste, modernidade e desejo. No Brasil, essa leitura ganha ainda mais força com a luz natural e o contraste de pele — especialmente no cenário capixaba.
As texturas acompanharam essa intensidade. Couro mais fluido, transparências refinadas, tweed leve e tecidos acetinados criaram um jogo entre estrutura e leveza. Hoje, o look não precisa apenas vestir, precisa ser percebido, inclusive na tela.
Nos front rows, brasileiros reforçaram esse protagonismo global. André Lamoglia, sucesso na Netflix em Os Donos do Jogo, estreou na Semana de Moda, assim como Virginia Fonseca num movimento relevante: o da influência de massa entrando no território do luxo. Sua participação sinaliza uma mudança clara na indústria — o luxo não é mais apenas sobre exclusividade, mas sobre alcance estratégico. Quando Virginia e André ocupam esse espaço, eles não apenas participam, ampliam o diálogo entre o high fashion e o público real.
No fim, a Paris Fashion Week não entregou apenas tendências, mas movimentos inéditos e direcionamento, evidenciando que estilo é estratégia. E entre Paris e o Espírito Santo, existe um espaço poderoso, o da tradução.
E quem souber ocupar, não acompanha.
Protagoniza.